(Continuação da parte um)
XVII. A Estrela
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| O Arcano da Esperança, do Crescimento e da Mãe do futuro |
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Compilação de Constantino K. Riemma
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| Uma mulher com um joelho apoiado no chão tem uma jarra em cada mão; derrama conteúdo de uma delas numa superfície de água (rio ou lago) e, da outra, na terra. No céu há oito estrelas. |
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| A mulher é jovem e está completamente nua; seus cabelos caem livremente sobre as suas costas e ombros. O joelho que está apoiado no chão é o esquerdo; a ponta do pé direito está em contato com a água. Representada ligeiramente de três quartos, seu olhar parece ignorar o trabalho que realiza. Do chão brotam uma planta com três folhas e, um pouco mais atrás, dois arbustos diferentes se destacam contra um céu incolor; sobre o da esquerda um pássaro negro de asas abertas parece estar pousado ou a ponto de levantar vôo. |
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| No céu podem ser vistas duas estrelas de sete pontas e cinco estrelas de oito pontas. Estão dispostas simetricamente em volta de uma estrela muito maior, que tem dezesseis pontas, oito amarelas e oito vermelhas. |
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<-- A Estrela no Tarô de Marselha restaurado por Kris Hadar
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| Significados simbólicos |
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Esperança, confiança. Idealismo. Imortalidade. Plenitude. Beleza. Natureza. O céu da alma. Influência moral da idéia sobre as formas. |
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| Interpretações usuais na cartomancia |
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| Pureza, entrega às influências naturais, sadias. Confiança no destino. Plenitude e sensibilidade poética, intuição. Bondade, espírito compassivo. Energia, convalescença. |
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| Mental : Alguém traz uma força para ser utilizada, mas não diretamente. É a inspiração do que deve ser feito. |
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| Emocional : Uma corrente de equilíbrio e de esplendor. |
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| Físico : A satisfação, o amor humano em toda a sua beleza; o destino dos sentimentos que animam o ser. Realização das coisas através da ordem e da harmonia. |
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| Em questões referentes à arte, esta carta fala do dom de encantamento, ou seja, o resplendor que atrai o próximo. |
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| Sentido negativo : Harmonia desviada do seu destino; harmonia física pouco duradoura. |
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| Falta de vergonha, despudor, leviandade. Falta de espontaneidade. Coações, moléstias. Natureza artificial e anti-higiênica. |
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| Tendência para a evasão e para o romantismo exagerado. Temperamento inapto para a vida prática. Estreiteza de visão, doenças. |
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A Estrela no Tarô de Bartolomeo Colleoni, Milano 1460-1470 -->
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Ilustração in Andrea Vitali www.www.letarot.it |
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| História e iconografia |
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| O número de estrelas representadas neste arcano varia, segundo o modelo do Tarô, de seis a oito. Astronomicamente, parece referir à constelação das Plêiades (uma estrela grande, rodeada de sete menores) ou ao setenário sideral com o Sol no centro. |
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Representação de Aquário Ganimedes, o mais belo mortal, levado por Zeus ao Olimpo, para ser escanção (= servidor de vinho) dos deuses. |
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| “Fala-se de sete Plêiades – disse o sutil Ovídio – mas na verdade não vemos mais que seis." |
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| Devido à reprodução quase textual da alegoria do signo de Aquário , muitos vêem no Arcano XVII uma herança zodiacal. Mas van Rijneberk nota, com razão, que tanto este signo bem como suas alegorias das correntes de água, foram tradicionalmente representados com figuras masculinas. |
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| Outra diferença entre a carta e seu pretendido modelo é o número de ânforas: tanto Aquário quanto os seus similares alegóricos (que incluem representações do Dilúvio) transportam um só recipiente. |
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| É possível, desse modo, atribuir à Estrela uma relativa originalidade, o que permite supor que a freqüente mudança de sexo de Aquário, em imagens posteriores ao século XVI, teria se inspirado no Tarô. |
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| No verbete dedicado a este signo zodiacal no seuDicionário de Símbolos, Juan-Eduardo Cirlot passa uma informação que vale a pena citar: “No zodíaco egípcio |
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| de Denderáh o homem de Aquário dispõe de duas ânforas, troca que explica melhor a transmissão dupla das forças, em seus aspectos ativo e passivo, evolutivo e involutivo, duplicidade que aparece substantiva no grande símbolo de Gêmeos”. |
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| Uma fonte menos provável, mas não impossível, da iconografia desta estampa pode ser encontrada noApocalipse (XVI, 3, 12): ali é dito que os sete anjos derramarão suas taças sobre o solo e o ar, mas sobretudo sobre os cursos d'água. |
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| A estrela – individual e guia ; sinal da divindade sobre o céu do herói – é um emblema comum a diversas mitologias. Delas passa para a tradição e a arte cristãs, e na atualidade pode ser encontrada em numerosas manifestações folclóricas no seu sentido alegórico mais transparente: a pureza , o destino prometido , a elevação. |
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São João Crisóstomo (Patrística grega, tomo LVI) parece ter recolhido a seguinte lenda: um povo oriental, do qual só sabemos que vivia perto do oceano e que tinha entre as suas tradições um livro atribuído a Set, escolheu em época remota doze homens dentre os mais sábios, cuja missão era única e surpreendente: vigiar o nascimento de uma estrela que o livro previa; se algum deles morria, seu filho ou parente mais próximo era eleito para substituí-lo. Mantiveram este rito durante gerações, até que a estrela da sorte apareceu no horizonte: três deles foram então encarregados de segui-la, o que fizeram por dois anos, durante os quais nunca lhes faltou bebida nem comida.
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| “O que fizeram depois – conclui o curioso pergaminho – é explicado de forma resumida nos Evangelhos." |
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| A Estrela |
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| Tarô Visconti Sforza(1450) |
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| Quanto à parte inferior do Arcano XVII, Wirth acredita que o arbusto ali representado seja uma acácia, “mimosa do deserto, cujo verdor persistente simboliza uma vida que se recusa a extinguir-se”. O prestígio mítico da acácia é tão vasto quanto intrincado, pois além de ser a planta emblemática da esperança na imortalidade, foi também protagonista de histórias notáveis: entre suas raízes teria sido enterrado Hirã, detentor da tradição perdida, depois de ser assassinado; da sua madeira teria sido construída a cruz de Jesus Cristo. |
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| Deve-se acrescentar que a jovem da figura lembra o princípio feminino de certos ritos primordiais, “a mãe sempre jovem, a consoladora, a clemente, a natureza amável e bela, a terna amante dos homens”. É sob este aspecto que os oráculos tendem a relacioná-la à juventude e ao bom humor, ao sonho e às suas revelações, e à realidade da poesia. |
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| Fulcanelli acrescenta ainda o duplo sentido simbólico da estrela, como concepção e nascimento, e faz uma bela descrição de um vitral de sacristia de Saint-Jean de Rouen: ali estão representados Benito e |
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| Felicitas, pais de São Romão; os esposos estão deitados na cama totalmente nus; sobre o ventre da mulher, que acaba talvez de conceber o santo, pode-se ver uma estrela. |
| XVIII. A Lua |
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| O Arcano da inteligência instintiva, dos ciclos vitais |
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Compilação de Constantino K. Riemma
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| Tarô de Marselha |
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| www.camoin.com |
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| A Lua parece atrair (ao contrário do Sol) dezenove manchas de cor, em forma de lágrimas. Essa direção das gotas variam com as diferentes desenhos, mesmo entre as versões clássicas. |
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| Embaixo da Lua há dois cães e, mais atrás, duas torres. Alguns autores reconhecem um dos animais como cão e, o outro, como lobo. |
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| Em primeiro plano, um lagostim (a maioria das descrições fala em “caranguejo”) encontra-se num tanque que, com suas bordas retas, parece construído; os dois cães têm a língua para fora, dando a entender que querem lamber as gotas. Do chão brotam várias plantas (ou apenas três, em algumas versões). |
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| As duas torres parecem delimitar e proteger o espaço no qual se encontram os animais e o tanque. |
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| A Lua está ao mesmo tempo cheia e crescente; dentro desta última figuração vê-se o perfil humano; os raios são de dois tamanhos. As dezenove lágrimas estão dispostas em forma de colar, numa fileira dupla e com a ponta para baixo. |
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| Significados simbólicos |
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| A inteligência instintiva, os ciclos vitais. |
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Os elementos da natureza, o mundo visível, a luz refletida, as formas materiais, o simbolismo. Imaginação. Reflexão e reflexos. Aparências. Ilusões. O momento de reavaliar a direção, de buscar inspiração no retorno à fonte. |
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| Interpretações usuais na cartomancia |
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| O mundo sensível, instintivo, vital. Experimentação, trabalho, penosa conquista da verdade. Instrução pela dor; trabalho cansativo, mas necessário. |
| Vidência passiva, receptividade, sensibilidade, lucidez. |
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Navegação, mudança. Inconstância, insegurança, medo. Irracionalidade, fantasias, penumbra. |
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| Mental: Em caso de negociações: mentira; em caso de trabalho pessoal: erro. Olhar superficial em todos os níveis. |
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| Emocional: Sentimentos conturbados ou em desordem, passionais, aparentemente sem saída. Ciúmes. Hipocondria. Idéias quiméricas. |
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Físico: Obscurecimento. Agitação. Escândalo, difamação, denúncia, segredo que fica público. |
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| Se a pergunta se refere à saúde, pode significar desordens no sistema nervoso, o que pode tornar recomendával uma mudança de ambiente, para buscar lugares secos e com calor. |
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| Sentido negativo: O instinto – causa de miragens – acentua seus efeitos pela situação ascendente do pântano. Estado de consciência confuso que permanece latente e sem se manifestar. Erros dos sentidos, falsas suposições. Embustes, enganos, decepção, desilusão. |
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| Teorias equivocadas, falso saber, vidência histérica. Ameaça, chantagem. |
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| Viagem inoportuna, caprichos. Caráter perturbado, neurótico. |
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| Tarô de Marselha |
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| www.krishadar.com |
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| História e iconografia |
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| Tarot "Gringonneur" |
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| Em vários desenhos do Tarô anteriores ao de Marselha – como é o caso do denominado Gringonneur, de aproximadamente 1455 – o arcano XVIII representa dois astrólogos, elaborando cálculos sob uma lua minguante. Os diversos elementos do baralho de Marselha – os cães, o caranguejo, o tanque, as torres – não aparecem neles. A própria Lua só é apresentada num plano, ao contrário do desenho concêntrico (perfil humano, crescente, disco), tal como aparece no Tarô de Marselha. |
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| Já nos desenhos mais conhecidos, as duas torres podem ser consideradas como pórticos monumentais, que defendem ou protegem o espaço interno, no qual se encontram os animais. |
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| É imporante lembrar que a Lua (Diana-Hécate, na mitologia grega) é ao mesmo tempo Janua Coeli e Janua Inferni: a porta do Céu e a porta do Inferno, o que as coloca em estreita relação com os dois cães (ou lobos) a uivar. Constituem indicadores da idéia dedualidade, bipolaridade. |
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| Já Athanasius Kircher (1601-1680) localizava Anúbis e Hermanúbis (divindades curiosamente representadas com cabeça de chacal) ante |
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| as duas portas do Céu: Anúbis no solstício de inverno, frente à porta da ascensão, indicada pelo signo de Capricórnio no hemisfério norte; Hermanúbis no solstício de verão, frente à porta da descida, ou do homem, indicada pelo signo de Câncer. |
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| Clemente de Alexandria, por outro lado, descreveu as procissões egípcias, que incluíam o passeio dos dois cães-deuses: “segundo eles, guardiães das portas no Sol, no norte e no sul”, o que poderia ter relação com os solstícios do inverno e da primavera. |
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| Embora não haja exemplos de zoolatria entre os gregos, é verdade que consagraram diversos animais para a companhia dos deuses. No caso de Artemisa – afirma Plutarco, em Isis e Osíris – seu cortejo era formado por dois cães; é significativo lembrar que a caçadora celeste era, para seu povo, uma divindade lunar. |
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| Quanto ao caranguejo, sua relação com a Lua é antiga e constante, aparecendo em ritos e lendas protagonizadas pelo astro noturno em numerosas culturas. Isto pode ser atribuído à marcha retroativa do animal, comparada ao movimento da Lua pela observação popular. |
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| Do ponto de vista astronômico, o caranguejo se relaciona com o simbolismo geral da carta e das torres em particular: Cânceré, como se sabe, signo do Trópico e, ainda, do solstício de verão, no hemisfério norte. |
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| As manchas de cor em forma de lágrimas que chovem da Lua (ou se dirigem para ela) estão desenhadas com a ponta para baixo; no arcano seguinte (O Sol) aparecem com a ponta para cima. |
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| Tarô de Oswald Wirth |
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| Ouspensky viu nas imagens do Arcano XVIII uma alegoria daviagem heróica, um resumo claro do simbolismo relacionado ao trânsito e a passagem: o tanque de água (matéria primordial), o caranguejo que emerge (devorador do transitório, como o escaravelho entre os egípcios), os cães que interceptam a passagem (guardiães, qualificadores da aptidão do viajante para enfrentar o mistério), as torres no horizonte (cheias de ciladas e também de portas – meta, fronteira). |
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| Cirlot imagina que os cães impedem a passagem da Lua para o domínio do logos (conhecimento solar) e comenta a descrição deWirth sobre o que não se vê na gravura: “Atrás dessas torres há uma estepe e atrás um bosque (a floresta das lendas e contos folclóricos), cheio de fantasmas. Depois há uma montanha e um precipício que termina num curso de água purificadora. Essa rota parece corresponder à descrita pelos xamãs em suas viagens extáticas." |
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| O que se mostra evidente é que o Arcano XVIII está mais relacionado que qualquer outro com o plano iniciático da via úmida (lunar). É por essa razão que Oswald Wirth relaciona a Lua à |
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| intuição e ao imaginativo, ainda que entre suas interpretações mais recorrentes em relação à Lua figure a sensualidade. |
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| A aproximação do Arcano XVIII com o vasto simbolismo lunar seria interminável, desde a sua relação com o ciclo fisiológico feminino até o panteão das divindades noturnas, passando por suas implicações cósmicas, mágicas e astrológicas. |
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| Parece mais prudente considerar que a Lua não se refere a tudo que nomeia, mas sim à situação específica que compõe com os outros elementos da carta. É bom cuidar para não limitar este arcano ao repertório específico da Astrologia. |
| XVIIII ou XIX. O Sol |
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| O Arcano da Intuição |
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Compilação de Constantino K. Riemma
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| Tarô de Marselha/Kris Hadar |
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| Dois meninos estão de pé diante de um muro, sob um sol que tem rosto humano, e do qual chovem treze lágrimas de cores. |
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| Os dois meninos vestem apenas uma tanga ou calção (azuis, na ed. Grimaud). O menino da direita parece apoiar uma mão, que não se vê, na nuca do seu camarada, estendendo o braço esquerdo um pouco para trás. O outro tem a sua mão esquerda na altura do plexo solar de seu companheiro, e o braço direito numa posição mais ou menos paralela. |
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| No chão, duas pedras, similares às que aparecem na carta XVI - A Torre. O muro que está por detrás dos meninos é amarelo, com a borda superior vermelha. |
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| Do disco solar, humanizado pelo desenho de um rosto visto de frente, surgem 75 raios; 16 têm forma triangular – a metade com as bordas retas e a outra metade com as bordas onduladas — e os 59 restantes são simples raios negros. Treze gotas, ou lágrimas, ocupam o espaço entre o Sol e os meninos. |
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| Significados simbólicos |
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| - Vitalidade, alegria. Ressurreição diária ao final da noite. |
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| - Intuição, clareza. O princípio celeste. Luz. Razão. |
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| - Concórdia. Influência solar. |
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| Interpretações usuais na cartomancia |
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| Discernimento límpido, clareza de juízo e de expressão. Talento literário ou artístico. Paz, harmonia, bom acordo. Felicidade conjugal. Fraternidade, inteligência e bons sentimentos. Reputação, glória, celebridade. Alegria, sucesso, vitalidade, força, vivacidade. Compreensão, calor, amor, crescimento. |
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| Mental: propósitos elevados. Sabedoria nos escritos, difusão popular harmoniosa; pensamento que alcança grande altura. |
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| Emocional: Afeto cavalheiresco, desvelo, altruísmo. Os grandes sentimentos. |
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| Físico: A saúde, a beleza física. Elemento de triunfo, saída para qualquer situação adversa que se esteja atravessando. |
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| Sentido negativo: Grande adversidade, sorte contrária, tentativas na escuridão. |
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| Deslumbramento. Vaidade, pose, fanfarrice. Susceptibilidade, amor-próprio. |
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| Miséria dissimulada sob uma fachada exuberante. Aparência simuladora, decoração. Artista fracassado, incompreendido. |
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Marselha restaurado por Camoin-Jodorowsky |
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| História e iconografia |
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| Para van Rijneberk, o arcano XVIIII não tem originalidade iconográfica, já que a sua figura central – o Sol – é a mesma que pode ser encontrada em qualquer figuração do astro, e que os elementos restantes são também especialmente pobres. |
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| Talvez os dois meninos façam uma alusão astrológica ao signo deGêmeos, período do ano que, no hemisfério norte, corresponde ao soltício de verão. |
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| No desenho ao lado, que Oswald Wirth concebeu para este arcano, os integrantes do par de protagonistas são de sexo diferente e, embora pareçam adolescentes, já não são crianças. O autor atribui a eles a condição de filhos da luz, e também a de uma alegoria das bodas entre o sentimento e a razão. |
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| Na escala individual, simbolizam a tarefa de regeneração que o universo começou a realizar a partir da queda. É por isso que Wirth os considera como “aqueles que reconquistarão o Paraíso”. |
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| No Tarô de Carlos VI, no lugar do par aparece uma fiandeira com o fuso entre as mãos; provavelmente trata-se de uma referência a Penélope e ao ardil com o qual conseguiu preservar-se até a volta do herói. |
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| Nas variantes contemporâneas ao "Tarot Gringonneur", por volta da metade do século XV, pode-se ver também a reprodução dos quatro cavaleiros do Apocalipse. |
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| Não é impossível que, como sugere van Rijneberk, o par de crinças, que aparece no tarô clássico, represente o rico e complexo simbolismo do signo de Gêmeos. É importante lembrar que a passagem do Sol pelo signo de Gêmeos indica, no hemisfério norte, o ponto de nascimento do verão, estação associada ao reino solar e luminoso. |
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| A alternância de raios retos e ondulados da efígie solar do Tarô de Marselha, seria uma alusão ao duplo efeito das radiações do astro (luz e calor). |
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| No campo divinatório costuma-se opor o Sol à Lua por analogia de contrários: luz quente x luz fria; luz potente x luz fraca; dia xnoite; masculino x feminino... |
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Tarô Gringonneur ou Charles IV (1.455) |
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Castor e Pólux, os gêmeos mitológicos. |
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| Relacionado ao aspecto Filho das divindades trinitárias, as qualidades do Sol aparecem freqüentemente comoatributos dos heróis, seja porque estes são exaltados à altura do Sol, ou porque o sol se manifesta de maneira excepcional em alguma circunstância de suas vidas. Um exemplo é que o Sol se oculta prodigiosamente como protesto pela morte do eleito, nas lendas de Héracles e Sigfrido. |
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| No Antigo Testamento pode-se rastrear a filiação solar deSansão (Juízes 13.16), desde o seu nome até o lugar em que acontecem suas façanhas (Betsemer, que significa "casa do Sol"), passando pelas relações entre força e cabelo, análogas às peripécias do Sol no seu trânsito pelas estações. |
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| Uma variante deste tema pode ser encontrada no drama do Gólgota, tal como o contam os Evangelhos (Mateus 27, 45; Marcos 15, 33; Lucas, 23, 44-45). |
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| Como no caso do arcano XVIII (A Lua), no entanto, é necessário prevenir contra uma excessiva ênfase no simbolismo solar do arcano XVIIII, o que lhe daria uma importância desmedida no conjunto das vinte e duas cartas. |
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| XX. O Julgamento |
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| O Arcano da Ressurreição |
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Compilação de Constantino K. Riemma
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| O Julgamento |
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| Tarô de Marselha-Camoin |
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| Na parte superior da carta, rodeado de nuvens, um anjo toca uma trombeta. Na parte inferior, três personagens nus – um dos quais, o do centro, está de costas – parecem estar em atitude de oração. Uma terra árida se estende por trás deles. |
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| O personagem que está de costas emerge de uma espécie de sarcófago; seus cabelos são azuis e tem uma tonsura. Dos seus lados, visíveis somente até a cintura e representados de três quartos, os dois personagens restantes – uma mulher à esquerda e um homem com barba, à direita – parecem olhar para a figura do centro. Têm as mãos juntas, como numa prece. |
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| Sobre um céu incolor, o anjo está rodeado de um circulo de nuvens azuis, das quais saem vinte raios: dez são amarelos; os outros dez, vermelhos. De suas vestes vê-se apenas um corpete branco e umas mangas azuis (ou vermelhas, em algunas versões). Segura a trombeta com a mão direita, que está próxima da boca; a esquerda apenas a toca, segurando um retângulo com uma cruz. |
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| Significados simbólicos |
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Os julgamentos essenciais, a avaliação dos rumos da existência. O despertar. Exame de consciência. Sopro redentor. Renovação. A promessa da vida eterna. |
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| Interpretações usuais na cartomancia |
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| Entusiasmo, exaltação emocional, intensidade dos sentimentos, espiritualidade. Capacidades ocultas, dom de adivinhação. |
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| Atos prodigiosos, medicina milagrosa. Santidade, doação. |
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| Renovação, nascimento, retorno de assuntos do passado ou sua atualização. Recados, propaganda, proselitismo, apostolado. |
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| Estar sujeito à avaliação de outros, ser julgado por suas ações. |
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| Mental: O homem convocado a um estado superior; tendências e desejos de elevação. |
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| Emocional: Devoção, exame de consciência. |
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| Físico: Estabilidade nos assuntos que estão encaminhados. Saúde e equilíbrio. |
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| Sentido negativo: Erro em relação a si mesmo e a todas as coisas; provas e trabalhos que resultarão de um juízo falso. |
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| Vacilação espiritual, ofuscamento da inteligência. Bobo evocador de fantasmas. |
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| Ruído, alvoroço, agitação inútil. |
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| História e iconografia do Juizo Final |
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| As gravuras cristãs, em geral, mostram duas diferentes idéias de ressurreição. A primeira, dos Evangelhos, refere-se aos fenômenos no momento da morte de Jesus: |
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| “Abriram-se os sepulcros e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram, e, saindo dos sepulcros depois daressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos” (Mateus, 28, 52-53). |
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| Um exemplo desta versão pode ser visto numa miniatura do século XII. “A terra recebeu ordem de devolver os seus mortos”, diz a legenda que a acompanha. A ilustração, ao lado, oferece idéia similar. |
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| A segunda, mais amplamente difundida, é a do Juízo Final. Sobre ela escreveram Mateus (25, 31-46) e, com maior detalhe, João (Apocalipse, 20, 12). |
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| Os artistas que se inspiraram nesta última versão se viram obrigados a selecionar, cada um à sua maneira, dentre a profusão de símbolos e alegorias verbais evocados por João para narrar esta cena. |
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← Juízo Final na igreja Notre-Dame des Fontaines (França)
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| As primeiras representações do Juízo Final remontam ao ano mil, aproximadamente, mas alcançaram a perfeição nos séculos XII e XIII, nas catedrais. Conhece-se apenas um exemplo anterior a estas datas: trata-se de um baixo-relevo em marfim (Tours, c. 800). |
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| Em todas essas imagens, os mortos surgem inteiramente nus dos seus túmulos, o que seguramente foi tomado de fontes tradicionais (o Livro de Jó; a carta de São Columban a Hunaldus – ano 615; o opúsculo Desprezo do Mundo, de Inocêncio III – cerca de 1200). |
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| Uma tradição popular, surgida nesta mesma época, acredita que os mortos surgiriam de seus túmulos como esqueletos, mas que se revestiriam então da carne e da pele perdidas assim que tomassem contato com a luz. |
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| Vitral da St. Chapelle - Paris |
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| A presença dos ressuscitados, bem como o anjo com a trombeta que parece convocá-los, remetem claramente o arcano XX do Tarô a essas imagens do Juízo Final; até a bandeirola da trombeta, que reproduz uma cruz-de-malta, é freqüente nos modelos em que a carta provavelmente se inspirou. |
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| Num sentido geral, o simbolismo do Arcano XX refere-se à morte da alma, ao esquecimento da sua finalidade transcendente, no qual o homem pode cair: o sarcófago ou túmulo representaria as fraquezas e apetites carnais, e o anjo com a trombeta faz a convocação do espírito: a oportunidade pela qual desperta o anseio latente de ressurreição que se supõe adormecido em todo ser humano. |
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| Para Wirth, o trio de ressuscitados representa a família essencial (Pai-Mãe-Filho) no momento de sua regeneração, e o último dos seus termos (o Filho) representa uma nova metamorfose do protagonista do caminho iniciático. |
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Quando se admite que o Tarô constitui uma alegoria da Iniciação, é possível reconhecer o Prestidigitador-Enamorado-Carro-Enforcado no homem nu do túmulo, “pronto para receber o Magistério”.
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